domingo, setembro 18, 2011

O dia em que o Brasil chorou

Porque se eu pudesse escolher um lugar pra morar no Rio, no top 5 estaria a Rua Paissandú. Talvez porque tenha boas memórias de lá, talvez porque seja uma das ruas mais bonitas do bairro do Flamengo. Só sei que me emociona aquelas palmeiras gigantes e aquele silêncio todo dos velhinhos do Aterro. A vida passa mais devagar naqueles quarteirões, mas isso é fato ainda por consumar...  

Pois lá no quarteirão da Paissandú com o Praia do Flamengo tem um hotel que por essas coincidências amargas da vida fez parte de uma das maiores tristezas do Brasil. Te conto: O ano era 1950 e o Brasil sediava os jogos da Copa do Mundo  já que a Europa estava devastada pela Segunda Guerra Mundial. A Argentina, que achava que deveria ser a anfitriã da festa,  não participou em protesto - Rá! E foi à revelia da população - quem diria, nessa época brigávamos por escolas e hospitais!, o governo brasileiro meteu a mão na massa (e na grana) e levantou o maior estádio de futebol que se teve notícia, o Maracanã. 
 


Depois de uma campanha empolgante, Uruguai e Brasil chegram na grande final. [Ah, tá. Mas e a coincidência amarga da vida? ] Pois os uruguaios estavam hospedados justamente num hotel do bairro do Flamengo, o Paissandú. Na ansiedade pelo grande jogo, a torcida brasileira não deixou os caras dormirem em paz;  Passaram toda a madrugada cornetando os pobres diabos que, de tão enfezados, acabaram com a nossa alegria com um virada miúda de 2x1, o segundo e derradeiro gol marcado pelo tal de Ghiggia. Calcula-se que coisa perto de 200 mil pessoas saíram caladas do estádio do fim da tarde de 16 de julho de 1950. E assim se fez o Maracanazo... 



Por falar em hospedagem, não é que o Brasil, no meio do campeonato, foi mudar de sede? Tiraram nossos canarinhos da Casa do Arcos (lá pros lados da  Barra da Tijuca) e foram colocar os caras  na cova do bacalhau; É,  lá mesmo, lá  em São Januário. Resultado: Brasil vice-campeão mundial. Ô sina! Não estou inventando não, taí ó, registrado na historia. 



FICHA TÉCNICA
BRASIL 1 X 2 URUGUAI


Data:
16 de julho de 1950 (domingo)
Horário: 15h
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro
Árbitro: George Reader (Inglaterra)
Assistentes: Arthur Ellis (Inglaterra) e George Mitchell (Escócia)
Gols - Brasil: Friaça, aos 2min do segundo tempo
Uruguai: Schiaffino, aos 19min, e Ghiggia, aos 34min do segundo tempo

BRASIL:
Barbosa, Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo Alvim e Bigode; Friaça, Zizinho, Ademir, Jair e Chico
Técnico: Flávio Costa

URUGUAI:
Roque Maspoli, Matias Gonzalez e Eusebio Tejera; Schubert Gambetta, Obdulio Varela e Rodríguez Andrade; Alcides Gigghia, Julio Perez, Oscar Miguez, Juan Schiaffino e Ruben Moran
Técnico: Juan López

quinta-feira, setembro 15, 2011

Nos trilhos do metrô

Apesar de só haver duas linhas (1 e 2 - assim de criativas!), andar de metrô no Rio não é tarefa das mais fáceis. Primeiro, quase nenhuma estação  tem plataforma de transferência, então os passageiros tem que ficar prestando atenção na locução - A VOZ, pra decifrar se aquele vagão é da linha 1(laranja) ou se é da linha 2 (verde).  O laranja e verde são meros detalhes na pintura do trem, assim que não se anime porque não facilitam em nada a tarefa de entrar no vagão certo. O segundo probleminha é que, diferente de cidades como Paris, Berlim e até mesmo aquela tal de São Paulo, a malha do metrô do Rio é pequena... Pra você ter idéia, não há trilho que chegue no Estádio do Engenhão. É preciso fazer baldeação na Estação Central e pegar o Expresso-Mengão em dia de jogos... É duro ser Flamengo!



Mas pra você que está só de passagem nem tudo está perdido, o metrô é brother! A explicação tá no mapa: Praticamente toda a orla turística tem cobertura do metrô, só faltando mesmo o Leblon, que de Lebronx, como é chamado nas rodinhas de gente cult-bacaninha, não tem nada!

Ainda mais agora com o Maracanã de férias prolongadas, destino de turista classicão começa na General Osório e vai até a Estação Central.  Logo, se você é do tipo que tem preguiça de trânsito, não curte andar a pé e não quer gastar Rios (trocadilho, a-han!) com táxi, o lance é se deslocar dqui pra lá no subsolo carioca.
Então, brother, é só se ligar na Linha Laranja.


Estação General Osório: 
É fim da linha, ou começo, dependendo do referencial. Parece a Star Trek e é tão funda que a pessoa demora 15 min pra conseguir sair da Estação. Fica lá no iniciozinho de Ipanema, na praça de mesmo nome, marromeno na altura do posto 8. Aliás, esse general aí era um gaúcho de nome Manuel Luis,  que morreu Ministro da Guerra de D.Pedro II. Senta que lá vem história, rá!

Cantagalo, Siqueira Campos e Cardeal Arcoverde:
A Cantagalo fica ali na fronteira entre Ipanema e Copacabana, a Siqueira Campos fica marromeno no meio do bairro e logo depois vem a Caverna do Batman, isto é, a Cardeal Arcoverde. Além de ser super bacana a sua arquitetura (ela foi toda escavada no meio da rocha), é a estação que fica mais próxima do lendário Copacabana Palace. E tem também um Bob's quase na esquina, na hora da fome é um bom lembrete.

Botafogo:
O melhor dessa parada é que é ponto de dois cinemas alternativozinhos: O Estação Botafogo, grudado no metrô, e o Espaço de Cinema, uns metrinhos mais em direção à praia. Ali também tem ponto do metrobus, ou seja, conexão por ônibus com alguns cantos da cidade que o subterrâneo não chega, tipo Humaitá. É bem longe da sede do clube Botafogo de Futebol e Regatas, embora o bairro seja o mesmo. Pra dar uma canja pro viajante-torcedor: General Severiano fica logo depois do Shopping RioSul, melhor ir de ônibus mesmo.


Flamengo:
Ah! Flamengo, bairro amado. Apesar do nome, nada tem com o grandioso Clube de Regatas do Flamengo, a sede do rubro-negro carioca e maior do  Mundo fica no bairro da Gávea que, por sinal, não tem metrô. Mas apesar da Estação do Flamengo ser  pequenininha, fica numa das ruas mais movimentadas do bairro, a Senador Vergueiro. No carnaval tem um bloco que sai dali, o Brejeiros.

Largo do Machado:
Merece destaque, é tipo uma segunda Central, rsrs. Faz conexão na superfície (metrobus) com os bairros das Laranjeiras (sede do Fluminense Football Club) e Cosme Velho. Tem também linhas regulares de ônibus pra Santa Teresa,  uma igreja matriz bonita, a casa do governador (no Parque Guinle) e muitos bares bacanas, como a Cervejaria Devassa e o Mofo. Ah! Tem um cinema que fica na Galeria, o cine Sao Luis, e nas redondezas, mais especificamente na Rua Dois de Dezembro, está o Espaço Oi Futuro Flamengo. Ufa!

Catete:
Boa pedida pra quem vai visitar o Museu Palácio do Catete, última morada do presidente da República antes da construção de Brasília. O Museu é super bonito, tem um bom material sobre Getulio Vargas e, ainda, um jardim que dá na praia. Ah! Foi onde o Getúlio saiu da vida para entrar na hstória (palavras dele).


Glória:
O bairro da Glória é um pedacinho entre a Lapa e o Catete. O metrô fica na altura da  Benjamim Constant que é a rua do Espaço de Dança Debora Colker e também  subida pra Santa Teresa, passando pela imperdível Pizzaria do Chico.  Logo depois tem a Rua Cândido Mendes, principal acesso a Santa (as kombis sobem por ali) e dona da Chopperia Villa Rica. Do outro lado da rua principal  tem a Praça do Cabeção do Getúlio (não lembro o nome oficial agora), com acesso ao plano inclinado que sobe pro Outeiro  e também  de cara pro Hotel Glória, comprado pelo Eike Batista, assim como todo o resto do bairro, rá!

Cinelândia:
De grande importância política e centro das principais manifestações populares, a Praça da Cinelândia é praticamente  um complexo arquitetônico da cidade. Tem o Cinema Odeon, a Câmara Municipal, oTheatro Municipal, o Museu de Bellas-Artes, a Biblioteca Nacional e, um pouquinho mais pro lado, o Cine Palácio (desativado). É também a estação de melhor acesso ao bairro da  Lapa. Tem também o tradicional bar do Amarelinho.

Carioca:
A Carioca fica no centro do centro. É também a estação mais perto do Bondinho de Santa Teresa e da Catedral do Rio. No seu entorno estão o Theatro Municipal,  o Espaço Cultural da Caixa, a sede da Petrobrás e do BNDES (dois arranha-céus).

Uruguaiana:
Já ouviram falar no Saara? Então, desce na Uruguaiana pra você ver de perto. E comprar! É um grande mercado popular, por lá vende de tudo. Tudo mesmo. Mas se liga na bolsa porque sempre rola uns pivetinhos pra acabar com a alegria da gente.
  
Presidente Vargas:
É uma estação meio sem-graça até porque, tadinha, fica entre a Central e a Uruguaiana. Mas ela fica numa das extremidades do Saara, então pra quem quer começar 'das pontas', é uma boa pedida. Também está em frente a um parque público, o Campo de Santana. No entorno estão a Faculdade de Direito da UFRJ e o Arquivo Nacional.
 

Central:
Sabe a Fernanda Montenegro escrevendo carta pra um moleque no meio de uma estação de trem? Pois é, aqui está ela. A estação, é claro.  A Fernanda você encontra lá pras bandas de Ipanema. É enorme e confusa. Tem conexão com terminal de ônibus, trem  e metrô. São algumas milhares de pessoas transitando por ela todos os dias e, se você vai só pra visitar, evite o horário de rush. Até a reabertura do Maraca, quem quiser ver jogo do Mengão (e outros times de menor grandeza), esse é o caminho mais fácil pra quem vem da zona sul: Pega o metrô, desce na Central, faz baldeação no trem até o Engenho Novo e desce em frente ao estádio. Não tem erro, só bagunça, mas faz parte da experiência, né não?





E aí, cansou?! Ainda tem um pedaço importante que é a Tijuca, mas desse a gente fala depois.
Agora bota o chinelo na mala e vem!




quarta-feira, setembro 14, 2011

Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão...


Quando a gente chega no Rio bate uma vontade danada de cantarolar o Samba do avião. Mas quem chega pelo Galeão, isto é, pelo o Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim,  fica procurando na janela o tal do Cristo Redentor de braços abertos sobre a Guanabara e dificilmente acha. Não acha porque a cidade é enorme e essa rota fica lá pro lado Norte da cidade e boa parte da área turística fica na Zona Sul. Bom mesmo é chegar no Santos Dummont, mas isso é privilégio dos vôos domésticos; Se você tiver sorte e o vento soprar a favor, vai fazer uma curva que começa no Maracanã, passa pela Lagoa Rodrigo de Freitas, quase abraça o Cristo e aterrisa no Aterro do Flamengo com o Pão de Açúcar ao fundo: Puro Luxo! Essa curvinha já é metade dos cartões-postais da cidade... Bota o chinelo na mala e vem!





Informações práticas:








 Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim (vulgo Galeão)
Localização: Ilha do Governador
Conexões terrestres: ônibus público | ônibus privado | transfer | táxi

Distância em km para:
- Centro: Aproximadamente 20km (ref.: estação do metrô  Carioca)
- Botafogo: Aproximadamente 23km (ref.: estação do metrô  Botafogo)
- Copacabana: Aproximadamente 25km (ref.: estação do metrô Siqueira Campos)
- Ipanema: Aproximadamente 28km (ref.: estação do metrô General Osório)

Pra saber quanto vai custar o táxi, clica aqui

Dica de brother: Pra você que está sem grana ou viajando sozinho e não quer morrer numa grana já de cara com uma corrida de táxi, lá no Galeão tem a Real Autobus, uma empresa que faz a conexão entre os aeroportos e, além disso,  tem partidas para a Zona Sul, Centro e Barra da Tijuca. São ônibus de viagem, geralmente com ar-condicionado e custam em torno de R$10,00.




Aeroporto Santos Dummont

Localização: Centro/Aterro do Flamengo
Conexões terrestres: ônibus público | ônibus privado | transfer | táxi

Distância em km para:
- Centro: Aproximadamente 4km (ref.: estação do metrô  Carioca)
- Botafogo: Aproximadamente 5,4km (ref.: estação do metrô  Botafogo)
- Copacabana: Aproximadamente 10,6km (ref.: estação do metrô Siqueira Campos)
- Ipanema: Aproximadamente 12,4km (ref.: estação do metrô General Osório)

Pra saber quanto vai custar o táxi, clica aqui

Obs.: Se você é do tipo que gosta de se aventurar pela cidade já de cara, com a mala na mão ou a mochila nas costas e está a fim de encarar o transporte público, o Santos Dummont é bem perto de uma parada de ônibus. Basta cruzar a passarela e tchan-nan: Se vira malandro!  Mas fica o aviso: A malha urbana do Rio é bem confusa e não tem aquela organização toda de primeiro mundo com horários regulares pregados na placa e itinerários completos de cada uma das 35 mil linhas... Masssss.... A passagem custa R$2,50 em média.